DIZERES DE ANTONIN ARTAUD
Eu queria fazer um livro que incomodasse os homens, que fosse como uma porta capaz de os levar lá, onde não teriam nunca consentido ir, uma porta simplesmente aberta para a realidade.

[...] um civilizado culto é um homem esclarecido quanto aos sistemas, e que pensa através de formas, de signos, de representações. É um monstro em que se desenvolveu até o absurdo esta faculdade que temos de extrair pensamentos de nossos atos, em vez de identificar nossos atos com nossos pensamentos.

Hoje a maior parte das pessoas pensa que o teatro nada tem a ver com a realidade. Quando se fala de caricatura da realidade, todo mundo pensa que se fala de teatro; porém sei que somente o verdadeiro teatro pode nos mostrar a realidade.

A vida é a imitação de algo essencial, com o qual a Arte nos põe em contato.

Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno.

É preciso ter fé em um sentido renovado pelo teatro, onde o homem impavidamente se faz mestre daquilo que ainda não existe e o faz nascer.

Ali onde outros propõe obras, eu não pretendo outra coisa que mostrar o meu espírito.

De onde venho?
Sou Antonin Artaud.
E basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
E imediatamente
Hão de ver meu corpo atual
Voar em pedaços
E se juntar
Sob dez mil aspectos diversos.
Um novo corpo
No qual nunca mais poderão me esquecer.

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