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Antonine Marie Joseph Artaud, mais conhecido como Antonin Artaud, nasceu na França, na cidade portuária de Marselha, em 1896. Devido a vários problemas neurológicos, teve convulsões na adolescência e foi internado em clínicas de saúde várias vezes. O uso constante de ópio por parte dos médicos acabou viciando-o, obrigando-o a utilizar este recurso durante sua vida para aliviar suas dores físicas. Em 1920 chegou a Paris, travando relações com o meio artístico e intelectual da cidade. Atuou no cinema e no teatro. Nos palcos, além de ator, foi também diretor. Deixou um legado de idéias e concepções que nortearam futuramente o desenvolvimento do teatro, influenciando também pesquisadores de outras áreas humanas, como a filosofia e a psiquiatria.
Artaud definiu-se pela procura de uma Arte que não fosse simplesmente contemplativa, mas que provocasse profundas mudanças no cerne do ser humano. Nesta procura idealizou o denominado Teatro da Crueldade, em que a palavra crueldade, longe de significar simplesmente dor e sofrimento, pretendia alcançar um significado maior. A intenção era atingir o espectador com uma sensação de terrível inevitabilidade, levando-o à descoberta  de um estado de realidade que a partir de então não mais se poderia de modo algum ignorar. Em sua busca praticamente obsessiva por uma Arte que  alcançasse satisfatoriamente a vida, passou por vários obstáculos: desentendeu-se com outros artistas e colegas, foi afastado do processo de filmagem de seu roteiro A Concha e o Clérigo, único que seria filmado; presenciou desfazer-se o Teatro Alfred Jarry, no qual foi diretor; deparou-se com o fracasso da sua peça Os Cenci, que tinha a esperança de ser um ensaio ao seu Teatro da Crueldade, mas cuja direção ocorreu em meio a diversas pressões financeiras e de trabalho, sendo o espetáculo cancelado após poucas apresentações. Desiludido de encontrar o que procurava no ambiente artístico de seu país, viajou ao México onde – conforme acreditava – poderia obter entre os rituais dos índios Tarahumara o que não conseguira no teatro: a cura para seu espírito e corpo, por meio de um contato mais direto, uma comunicação mais plena com o mundo à sua volta e consigo mesmo. Retornou à França e em 1937 partiu para a Irlanda. Após um episódio não muito bem esclarecido, foi preso pelas autoridades e deportado de volta à França, onde viu-se imediatamente internado. A partir de então passou anos em diferentes asilos psiquiatricos, sendo praticamente esquecido em meio às sua privações. Em 1943, com o auxílio de amigos e intelectuais apiedados, foi transferido para Rodez. Apesar de ser melhor tratado e incentivado a escrever, sofreu terrivelmente com a aplicação de choques elétricos utilizados como tratamento.
Veio protestar contra os maltratos sofridos pelos doentes nos manicômios, rebelando-se principalmente contra a aplicação do eletrochoque, do qual foi vítima.  É interessante mencionar que este tipo de método - o eletrochoque na psiquiatria - foi muito bem exposto em toda sua violência no filme “Bicho de Sete Cabeças”, protagonizado pelo ator RODRIGO SANTORO.

Em “Bicho de Sete Cabeças”, Rodrigo Santoro interpreta um personagem que – de modo semelhante a Artaud - sofre a violência dos eletrochoques.

Terminada a Segunda Grande Guerra, vários artistas e intelectuais se reuniram em 1946, garantindo o sustento de Artaud, que deixou Rodez e passou a residir na Clínica de Ivry como paciente voluntário. Em 1947 Artaud ganhou um prêmio literário pelo seu Van Gogh – O Sucicidado pela Sociedade. Em 1974, ele finalmente triunfa no palco, na famosa palestra do Teatro do Vieux Colombier. A platéia se espanta, chocada diante de uma performance teatral intensa, na qual Artaud declama seus poemas e denuncia os sofrimentos pelos quais passou. Segue-se mais uma decepção em 1975, quando sua emissão radiofônica “Para Acabar com o Juízo de Deus”, considerada ofensiva, é proibida de ir ao ar pelo diretor da Rádio, apesar do protesto de vários artistas. Antonin Artaud vem a falecer em seu quarto, na Clínica de Ivry, em 14 de março de 1948.    

 

PARA SABER MAIS:

100 Anos de Artaud

Escritos de um Louco

Artaud e a Reinvenção do Teatro Europeu

Antonin Artaud, um Breve Vislumbre

Carta Aberta... aos Poderes

 

 

 

 

 

 

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A ARTE-TEIA DA PALAVRA

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