CONFIRA ALGUMAS PASSAGENS DA OBRA
MISTÉRIO! O MUNDO QUE A MENTE ACREDITAVA CONHECER REVELA UMA NOVA E SOMBRIA FACE.

"Foi em algum ponto do tempo e do espaço anterior ao meu próprio nascimento que – segundo minhas lembranças – vi pela primeira vez a engrenagem. No vácuo de plena escuridão, uma roda gigantesca de metal opaco e gélido girava incansavelmente, e presos a ela seguiam mil seres nus, homens e mulheres, alguns gritando ou gemendo de dor, outros bebendo e se embriagando em delírio anestésico, outros perdidos no embate de uma desgarrada união sexual, em gemidos e gritos de uma entrega animalesca, como que em uma busca desesperada por uma satisfação a mais, por uma paz que afinal não se atingia. Havia os que choravam, havia os que sorriam e dançavam, havia os que amavam, havia os que gritavam. E todos, sem exceção, desciam com a roda e subiam inumeráveis vezes, enquanto repetiam constantemente as mesmas ações, seus alaridos de prazer e dor perdendo-se entre a mecânica da engrenagem giratória."
UMA PERSEGUIÇÃO CONSTANTE, INEXPLICÁVEL!

"Avistei o primeiro grupo surgir em uma rua, a alguns metros de mim. Não me atrevi a fixar o monstruoso aspecto daqueles que ali estavam. Vislumbrando-os apenas de relance, fugi imediatamente por uma esquina à minha direita. Ao meu lado, uma espécie de depósito, no qual entrei rapidamente, fechando em seguida e abruptamente a porta. As várias vozes e gritos se aproximavam. Rezei para que passassem reto e não me encontrassem. No entanto, como uma fera farejadora que chega até sua presa pelo cheiro do seu medo, todos se aglomeraram em frente à porta. “Aqui!”, diziam. “Ele está aqui!” Eu procurava desesperadamente outro lugar por onde fugir, mas não havia. As batidas violentas começaram. Encolhido num canto, via a madeira da porta se romper e mãos disformes surgirem entre as fendas, que se formavam e aumentavam a cada golpe."
MAGIA TRIBAL. UM PODER PRIMITIVO E DIVINO, OCULTO EM CADA UM DE NÓS!

"E súbito, simplesmente sabia – inexplicavelmente – que estava diante de um líder espiritual, o pajé de alguma aldeia ignorada. Quando me falou, foi em uma voz pausada, cuidadosa; suas frases atravessavam o ar enfeitiçado; chegavam a mim como pequenos pedregulhos afundando profundamente, um a um em um lago. – Escute – ordenou-me, seu olhar de águia anciã atingindo-me o íntimo. – Vocês dois logo se encontrarão. Eles farão de tudo para impedir. Isto não pode acontecer. Este encontro é necessário; pois ele precisa lhe falar.
– Ele quem?
Ignorando minha pergunta, o velho simplesmente voltou-se para o lado, pegando alguma coisa do chão.
– Aproxime-se.
Obedeci. Curvei-me, enquanto meu pescoço recebia um cordão, do qual pendia um amuleto desconhecido, que me tocou o peito, trazendo-me uma sensação de conforto e segurança. A voz do pajé retornava, atravessando com vigor aquele ambiente de sonho:
– Este símbolo lhe protegerá dos espíritos do mal; mas lembre-se: Aquele que mora no interior de ti mesmo é o seu único benfeitor. Somente Dele virá a verdadeira ajuda. O amuleto é apenas para lembrar da Sua presença mágica, para lhe inspirar uma comunicação com Ele."
PARANÓIA? DELÍRIO? OU A REALIDADE DE UM MAL OCULTO, INVISÍVEL, TERRÍVELMENTE PRÓXIMO? PREPARE-SE PARA DESCOBRIR!

"Há pouco mais de dois metros de mim, o homem também parou. Ao ser inquirido pelo meu olhar, ele pareceu desconcertado e disfarçou, como se procurasse alguma coisa à sua volta. Porém, sentindo a minha atenção fixa em sua pessoa, voltou a fitar-me.
E então, sob o sol opaco da tarde, um efeito de ótica, fruto de minha excitação mental...
Sim. Devia ser só isso.
Apenas minha imaginação, aquela forma escura surgindo do nada, quase humana, uma mancha densa e indistinta, que de algum modo parecia viva. Insistiu no ar por instantes, a miragem,
< N ã o !! É real! >
e depois desceu, desvanecendo-se por detrás do homem que me seguira. Este imediatamente pareceu dar-se conta de algo. Suas rudes feições se contraíram, numa expressão de desgosto, e num gesto defensivo ele jogou o braço para o lado, empurrando bruscamente o nada com a mão, gritando:
– Afaste-se!
Após esta atitude aparentemente sem sentido, o homem fixou em mim olhos que a princípio poderiam ser os de algum alucinado, mas cuja expressão logo se atenuou, transmitindo uma aguda lucidez e compreensão.
– Você também pode ver eles, não?
A pergunta atingiu-me áspera e seca, como uma luz forte demais, para a qual eu ainda não estava preparado.
Olhei ao redor e pareceram multiplicarem-se formas indefinidas, que ora se mostravam, ora se ocultavam no espaço, como se meus próprios medos despertos, fugindo dos porões de meu cérebro, tomassem vida. O mundo à minha volta deixava de ser uma terra firme; a realidade desfazia-se, dando lugar ao mesmo temor irracional que já experimentara em meus pesadelos.
O homem avançou na minha direção, e à sua volta, todas as formas obscuras e escondidas no espaço pareceram unir-se e avançar com ele."
O CONFLITO ENTRE O IDEAL E A NECESSIDADE MATERIAL. SEGUIR OS DESÍNGIOS DO ESPÍRITO, OU REJEITÁ-LOS EM TROCA DE RECURSOS PARA UMA VIDA MAIS SEGURA? AVENTURAR-SE OU NÃO NO DESCONHECIDO, NO INCERTO...?

"– Pai, me ouça...
– Não, ouça você; porque já falamos desse assunto antes; mas já chega. Você está com 24 anos; precisa pensar seriamente em dar um rumo à sua vida. E teatro, ou qualquer coisa do tipo... ainda mais com seus problemas de saúde... Francamente, filho, não há nenhuma garantia, nenhuma segurança nisso. O melhor para você, como já lhe disse mil vezes, é me ajudar na empresa.
– Pai, outra vez vem me falar disso. Eu já disse que não quero...
– Não? Tudo bem. Então o que você quer? Ser ator? subir num palco, apenas tentar divertir os outros? E para quê? Para passar necessidades? Sim, porque não pense que é simples ganhar dinheiro com isso.
(...)
– Artaud, apesar de ser tão severo, ele é seu pai. Estando certo ou errado, tudo o que ele faz é porque se preocupa com você. Por favor, não guarde rancor nem perca as esperanças nele. É tudo o que lhe peço. Dê tempo ao tempo. Aprenda a esperar, e pode ter uma surpresa. Seu pai ainda vai mudar de idéia.
– Não, eu não mudei de idéia.
Um mês depois. A voz de meu pai, ríspida e possante, intensificava a atmosfera de autoridade que eu pressentia se condensar no ar. (...) Em pé, amoldado a um soturno silêncio, eu me obrigava a ouvi-lo mais uma vez (...)"
MAGIA. EM UM MUDO ONÍRICO, DE SONHO VÍVIDO, SE ESCONDEM SEGREDOS CAPAZES DE REVOLUCIONAR A VIDA. SOMENTE UMA MENTE DESPERTA, TREINADA, CONSEGUIRÁ ALCANÇÁ-LOS!

"E diante de mim, a vela ainda queimava. Sua chama se dividiu em duas, três, quatro – inúmeras; as línguas de fogo de uma pequena fogueira em um chão de terra. Sentado à minha frente, o pajé fixava-me com gravidade, seu olhar pressagiando-me um assunto urgente de vida ou de morte.
– Então quer mesmo saber de tudo? Quer mesmo ir além?
– Sim – respondi-lhe imediatamente.
– Para saber, precisa estar desperto. Tome. Beba tudo.
Passou-me um pote de barro. A bebida parecia-se a uma mistura esverdeada de vegetais desconhecidos, esmagados, e desceu-me um tanto desagradável, como uma espécie de sopa meio amarga. Quando a terminei, meus dedos se afrouxaram, deixando o pote cair. Sentia-me tonto. As imagens oscilavam ao meu redor, tornando-se distorcidas. Praticamente já perdia a completa noção de tudo, quando um bastão de madeira foi erguido, acertando-me em pleno rosto.
– Fique acordado! – ordenou o feiticeiro índio. – Não durma!"
INOVANDO-SE A LINGUAGEM PARA DESCORTINAR OS ABISMOS DE UMA ALMA.

Neste livro, processos da mente, sensações e sentimentos são abordados na obra por um estilo de escrita inspirado na poesia concreta, caligráfica e visual, aproveitando-se desses elementos a idéia de que a palavra pode ganhar nova vida e significação pela modificação de sua forma e pelo seu "deslocamento" no espaço da página. Venha embarcar nessa linguagem além da linguagem. Deixe-se levar a uma investigação espantosa da mente e do inconsciente. Acompanhando a ação de um choque emocional traumático, presencie de que modo o seu poder destruidor de transferência afeta dolorosamente vários aspectos da vida, das relações e dos afetos.
Quer saber mais? Clique aqui. |